terça-feira, 19 de julho de 2016

AS DUAS COLUNAS — Sonho de Dom Bosco.

No dia 30 de maio de 1862, Dom Bosco teve um sonho impressionante sobre as lutas futuras da Igreja, até seu triunfo final:

Parecia que vós estáveis comigo sobre uma rocha, no mar. Na dilatada extensão das águas havia uma verdadeira nuvem de embarcações dispostas em ordem de batalha, com as proas terminadas e,m afilado esporão que fura e atravessa tudo o que encontra pela frente. Estão providas de canhões e carregadas de fuzis e armas de todos os tipos, de munições e explosivos; e também de livros, porque os livros também são armas.

Todas avançam contra um encouraçado muito maior do que elas, com a intenção de atravessá-lo com o esporão, incendiá-lo ou causar-lhe o maior dano possível.

A essa majestosa nave, provida de tudo, fazem escolta três navios que obedecem às suas ordens e manobram e evoluem para defendê-la da frota inimiga. O vento lhes é contrário e o mar agitado parece favorecer o inimigo.

No meio daquele mar sem limites se elevam duas fortes e altíssimas colunas, pouco distantes uma da outra. Uma delas se vê coroada com a estátua de Maria Imaculada e a inscrição: Auxilium Christianorum [Auxílio dos Cristãos].

Sobre a outra, mais alta e grossa, vê-se uma hóstia de tamanho proporcionado à coluna, com outra inscrição que diz: Salus credentium [Salvação dos que têm fé].

O general-em-chefe e condutor da nau capitânia, que é o Romano Pontífice, vendo o furor dos inimigos e a desvantagem de seus fiéis seguidores, convoca em conselho os capitães das outras naves para decidir o que deve ser feito.

Todos os pilotos sobem a bordo e se agrupam em torno do Papa. Realizam uma sessão*, mas como o vento intensificava por momentos, cada um deles vai de novo governar a sua nau.

Acalmado o vendaval, o Papa volta a reunir os pilotos, enquanto a nave segue o seu rumo.

Mas de novo se desencadeia outra terrível tempestade, e ele, governando o leme, procura com todas as forças levar sua nau para junto das duas mencionadas colunas, das quais pendem numerosas âncoras e ganchos presos a grossas correntes.

As naves inimigas se lançam em massa ao assalto, procurando de todos os modos abordar e afundar a nau pontifícia, umas com jornais, revistas e livros — substâncias inflamáveis que lançam a bordo  e outras com canhões, fuzis e esporões.

O combate se torna cada vez mais encarniçado. As proas inimigas chocam-se violentamente a nave papal, mas são inúteis os seus esforços e investidas. É em vão que voltam outras vezes á mesma tentativa, gastando energias e munições, pois a grande nave continua segura seu caminho.

Acontece por vezes que, devido à violência dos golpes, se abrem em seus flancos profundas e amplas fendas; mas tão logo aparece o dano, já desce das colunas um sopro que fecha e faz desaparecer as aberturas.

E se fendem os canhões dos assaltantes e se racham seus fuzis, o mesmo acontecendo com suas outras armas e seus reforçados esporões; se racham [suas embarcações] e muitas delas afundam no mar. Então os inimigos, furiosos, partem para a abordagem e principiam a combater com armas curtas; trava-se feroz batalha entre orações e blasfêmias, entre preces e maldições.

Mas eis que o Papa, ferido mortalmente, cai ao solo. Seus companheiros acorrem para levantá-lo. O Papa é ferido segunda vez, cai e morre.

Um grito de vitória e de alegria ressoa na esquadra inimiga. Mas o contentamento não dura muito tempo, porque aquele Papa é substituído por outro. Reunidos os pilotos, tiveram tanta pressa em elegê-lo, que a notícia da morte do Papa chega ao mesmo tempo que a da eleição do sucessor.

Os adversários começam a desanimar. O Papa, superando e vencendo todos os obstáculos, guia a nave para as colunas; ao chegar no meio delas, ata-a com a corrente que pendia da proa, à coluna que tem em cima a hóstia. E com outra corrente ata-a à coluna que tem em cima a imagem da Virgem Maria.

Sucede grande desconcerto no campo inimigo. Todas as naves que até então haviam combatido contra a que o Papa dirigia, fogem, dispersam-se, investindo contra si mesmas. Vão a pique, enquanto procuram afundar as outras.

Algumas navezinhas que tinham combatido valorosamente ao lado do Papa são as primeiras a ancorar junto às duas colunas.

E outras que se tinham mantido afastadas do combate, permanecendo na expectativa, uma vez perdidos nos redemoinhos do mar os últimos restos da esquadra inimiga, a toda velocidade acorrem em direção às duas colunas; e quando chegam a elas, sujeitam-se às correntes que pendem das mesmas e permanecem seguras e tranquilas junto à nave do Papa.

No mar reina grande bonança.

— Que significará tudo isso?

— O triunfo da Igreja por meio da Sagrada Eucaristia e a devoção à Santíssima Virgem, responde um jovem.

— Exato. O mesmo penso eu, diz outro.

— As lutas da Igreja, tão combatida hoje; e seu triunfo seguro por Cristo e Maria, diz o estudante clérigo Miguel Rua.

— Assim é. Boas noites!

_____________________________
* Esta passagem parece alusiva ao Concílio Vaticano, convocado pelo Papa Pio IX e interrompido em 1870 por força da tempestade exterior que desabou sobre a Igreja, com o cerco e a tomada de Roma pelas tropas garibaldinas.

Fonte: Profecias de São João Bosco, Editora Artpress, p. 74-77.

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