sábado, 4 de julho de 2015

Dom Marcel Lefebvre aceitou o concílio "In Totum" e assinou tudo?


Muitos, sem a menor vergonha, ou boa-vontade, gostam de dizer que Dom Marcel Lefebvre havia assinado todos os documentos do concílio pastoral Vaticano II, e que portando, teria sido hipocrisia dele ser contra algo que antes apoiara. Essas afirmações vêm de de jovens mal-saídos dos cueiros, e ainda fervilhando de espinhas, à delegados desocupados. Discutiremos aqui, se houve realmente a assinatura e o que ela, existindo ou não, importa.



PRIMEIRO, se Dom Marcel assinou os documentos do Concílio:


Os desocupados que assim afirmam, apoiam-se numa mentira velha. Já em idos da década de 80, o Pe. de Blignieres, expôs a seguinte reprodução reprográfica de um documento das sessões do Concílio:



Mas, o honestíssimo sacerdote infelizmente publicou tal documento enquanto Dom Marcel Lefebvre ainda estava vivo, e ele mesmo explicou de que tratava-se este papel e esta assinatura:

“Que ela (a santíssima Virgem) confunda aqueles que, por suas mentiras e malicia, tentam por todos os meios nos humilhar e nos fazer passar por mentirosos ou “gagás”! (…) Se nós dois tivéssemos morrido, Mons. De Castro Mayer e eu, seria fácil nos fazer passar por mentirosos, mas enquanto estamos vivos, é um pouco temerário. Eles podem pensar o que quiserem, jamais poderão convencer que votamos no Concílio diversos documentos junto com os demais, e não poderão jamais provar que “non placet” significa “placet”. Os Padres do Concílio não teriam jamais aceitado que a maneira de votar seja de tal modo ambígua, que se possa depois fazer que aqueles que disseram “não” pareçam ter dito “sim”. Não se tratava de uma reunião de imbecis! … É preciso uma forte dose de desonestidade para se lançar a tarefa de provar que o ”non placet” dos Padres do Concílio terminou por se tornar um “placet”. Por que não o contrário? É preciso muita convivência com espíritos tão desviados como os do Pde. * e do Pde. De *, que provam por sua própria atitude que o seu ”placet” pode vir a tornar-se um “non placet”, ou inversamente”. (14 de junho de 1990).

“A lista e as assinaturas dos Padres cujos nomes se encontram no volume IV, parte VII, pág. 804 dos documentos do Concílio indicam apenas os Padres que estavam presentes em São Pedro quando foram sucessivamente apresentados os 4 decretos (sobre a Liberdade religiosa, sobre a Atividade missionária, o Ministério dos padres, a Igreja no mundo). É necessário má-fé para interpretar essas assinaturas como se fossem aprovações ao conjunto dos 4 decretos. É absurdo pensar que se possa assinar, aprovar ou recusar 4 decretos a um só tempo. (…) É evidente, e nós sempre afirmamos, que Mons. de Castro Mayer, Mons. Sigaud e eu mesmo votamos contra a Liberdade religiosa e a Igreja no mundo. Ao nos fazer passar por mentirosos, ao falsear os documentos, pode-se julgar a desonestidade do P. de… e dos que se apressaram em reproduzir estas mentiras.. (1 de junho de 1990).

Aqui vê-se tudo realmente refutado e bem explicado. Não se pode votar, nem depois de haver votado, assinar manifestando aceitação um conjunto de documentos. Trata-se apenas de uma lista de presença. A estes, então, Dom Marcel mesmo já deu-lhes a resposta:

“Deus é testemunha de que sempre recusamos assinar estes dois decretos. Se alguém pode lembrar-se disso, este alguém sou eu e não estes jovens que mal haviam nascido nos tempos do Concílio…!. (20 de abril de 1990)”.


SEGUNDO, a relevância da assinatura de Dom Marcel Lefebvre.


Dom Tissier de Mallerais, na biografia que escreveu sobre Dom Marcel Lefebvre escreve de maneira bem contundente qual seria a relevância da assinatura do Arcebispo aos dois documentos supracitados, bem como a todo o resto:

"O fato de que, tanto Dom Lefebvre, como Dom de Castro Mayer, tendo após ter votado contra a liberdade religiosa, assinado à promulgação da Dignatis Humanae; e depois Dom Lefebvre ter afirmado veementemente que não a tivera assinado, nem à Gaudium et Spes, se explica pela simples lógica de sua oposição anterior e de sua oposição posterior à declaração sobre liberdade religiosa; ele pode por um engano ou falha de memória ter confundido os votos finais negativos concernentes à Gaudium et Spes e Dignitatis Humanae com uma recusa de assinatura." (Dom Tissier de Mallerais,  em "Monseigneur Lefebvre, une vie", Clovis, França 2002)

Eis aí tudo que realmente importa. A recusa anterior e todo trabalho desenvolvido por ele com o Coetus Patrum para tentar frear os modernistas, e todo o trabalho posterior lutando contra os erros, ambiguidades, e reformas posteriores ao Concílio. Ter assinado, nesse contexto, é irrelevante.Até porque, os documentos de um concílio Pastoral não obrigam a consciência dos fiéis, nem mesmo de seus signatários.


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